domingo, 19 de junho de 2016

Método Proprioceptivo-Dinâmico para Condicionamento de Voz Cantada - Considerações de Laboratório com Luciana Soares (Grupo de Oração Rios de Água Viva)

- Nível:

Proprioceptivo: Estimulação da musculatura oral, e desativação da hipercinesia de musculatura extrínseca, construindo para melhor emissão, levando a uma sensibilidade auditiva das frequências propostas, com malhação da musculatura intrínseca.

- Prática envolvida:

- Aumento de pressão subglótica a partir da fonte friccional semiocluida, proporcionando coaptação glótica, e a princípio isométrico, malhação dos músculos tensores.

- Equilíbrio de Loudness para alargamento de trato vocal a partir da diminuição de constrição nas paredes faríngeas proporcionando aproveitamento de harmônicos, propriocepção sonora e equilíbrio de emissão em registro modal.

- Consciência melódica com estabilidade laríngea ativando contração muscular da musculatura da cinta abdominal, para não constringir a faringe com hipercinesia muscular nas ascendências melódicas.


Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Método de Proprioceptivo-Dinâmica para Condicionamento de Voz Cantada – Considerações de Laboratório com Jair Rezende (Coral Homens que Louvam o Senhor)



Acompanhar o irmão Jair Rezende tem me proporcionado uma devolutiva objetiva quanto o efeito fisiológico de cada exercício, e de como é importante está ciente sobre o sentido da aplicabilidade enquanto treino e condicionamento. Associado a isso, temos os fatores psicogênicos, a forma com que o aluno entende e expressa às dificuldades, e a imagem acústica enquanto propriocepção em cada evento vocal, e que o mesmo tem, sobre se mesmo.  
Se considerarmos a vertente fisiológica na amplificação do som, ou seja, o comportamento da fonte friccional, Belhau e Russo (1993). Estamos nos referindo ao nível de constrição das paredes faríngeas, a disposição do esfíncter velofaringeano e ao aproveitamento do fluxo expiratório. Mas para que tudo isso aconteça, ou seja, o automatismo na dinâmica vocal aconteça, consideramos o fator psicoemocional que pode influenciar positivo ou negativamente no aperfeiçoamento dessa coordenação.
Isso conduz a refletir que a emissão mesmo estando associada à projeção vocal, enquanto disposição muscular, se separada no procedimento de condicionamento vocal psico, emocional e proprioceptivo, que consequentemente com o automatismo gerado pela ginástica vocal, no sentido isométrico, resultará na dinâmica, na potencialização da expressão por meio da linguagem cantada.



Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal

segunda-feira, 30 de maio de 2016

CONTINUAÇÃO, Parte 02 - Considerações Sobre Orientação Vocal com Aluno Jair Rezende (Coral Homens que Louvam o Senhor)

Segundo Iêda Russo e Mara Behlau, 1993 “se retificarmos o trato vocal, criaremos um cilindro de aproximadamente 17 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro.” Essa medida nos mostra que por mais que a fonte (vibração de prega vocal) esteja debilitada poderemos ter uma amplificação considerável do som (filtro/fonte friccinonal), proporcionando uma execução básica para determinadas canções, aproveitando a pressão do fluxo aéreo para menos esforço muscular.

Podemos ampliar esse cilindro (trato vocal) funcionalmente, estabilizando posição da laringe e utilizando a translação de mandíbula nas vogais e medialização labial nas semivogais. E em nível de fonte é importante proporcionar um ginástica gradativamente não intensa, para os músculos tensores das pregas vocais. Visando um automatismo de massa  e proporcionando mais firmeza nas frequências graves, que por falta de coaptação glótica podem “quebrar” com qualidade soprosa.

Tenho visado em minha metodologia dar atenção separada para a emissão a primeiro momento para conseguirmos eficiência na projeção tão buscada para coristas e solistas. Isso tem nos dado resultados bastante positivos na dinâmica vocal.


Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal


domingo, 29 de maio de 2016

Considerações Sobre Orientação Vocal com Aluno Jair Rezende (Coral Homens que Louvam o Senhor) - Parte 01

É importante ressaltar que nosso foco no treinamento vocal não é apenas sugerir exercícios e práticas, “passar receita” pra cantar. Muito mais importante que isso, é a partir do momento que se traça um perfil sobre a qualidade vocal do falante, a instrução vocal focará em como proporcionar ferramentas facilitadoras para o desenvolvimento de uma percepção de si mesmo. Com isso, se torna bastante explicito o quanto a emissão vocal depende das estruturas musculares e do material aero dinâmico na fonte friccional.

Existem pessoas que já apresentam em sua voz falada sinais de fadiga, mesmo isso sendo negativo no sentido de dificuldade em deixar a voz constante ao canto, isso também é positivo, no sentido de reconhecimento da necessidade de um treinamento sistematizado, visando o comportamento de sua fisiologia. Pois existem cantores, coristas que passam por eventos de incapacidade vocal em emitir determinadas frequências, e utilizam de maneiras desgastantes para emiti-las, como o uso exacerbado do volume. Mas comumente com coristas, esse volume é solicitado para a soma das vozes, o mesmo dispõe do aumento de intensidade concentrando a força a nível faríngeo pela hipercinesia em nível cervical com pressão expiratória insuficiente. Enfatizamos esse comportamento para dizer que, mesmo que esteja mascarado, e seja mais tardio o aparecimento de alguma debilidade vocal no canto, essas práticas errônias acarretarão em desvios funcionais posteriormente.

Temos contemplados resultados bastante positivos na emissão de Jair Rezende. Quero parabenizá-lo pelo seu empenho em se retificar constantemente, dando o devido crédito ao que é decidido em aula. Aos poucos com um treinamento sistematizado temos conseguido diminuir as quebras vocais involuntárias na emissão, e rugosidade, com aumento da eficiência glótica ao executar a extensão melódica de cada canção.

Minhas considerações para o condicionamento dessa voz vão ser expressas por partes, mostrando a evolução gradativa do aluno. Nessa primeira parte, veremos o quanto é importante a noção da postura cervical para a emissão vocal. E na questão prática, o condicionamento de pressão expiratória tem influencia direta na eficiência de vibração de pregas vocais pela regulação da pressão a nível subglótico.



Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal


sábado, 28 de maio de 2016

Considerações sobre do aperfeiçoamento de Ressonância e Afinação (Condicionamento Vocal da Aluna Karolaine)

Para se trabalhar uma voz é necessário estratégias sonoras, para influenciar o aluno a sentir a melhor emissão com menor esforço, isso será essencial para posteriormente despertar uma projeção impostada. Esse condicionamento de inicio é ativamente auditivo, tanto para chamar a atenção do falante para uma colocação vocal com ressonância equilibrada quanto para esclarecer deslizes na afinação. Tenho percebido que essa relação é cada vez mais estreita, a afinação acontece quando é encontrada a emissão mais plena. É como se mesmo que o som for bem abstraído a nível auditivo e neural, se não for usado a amplificação precisa a afinação não acontecerá. Isso implica dizer que um ressoador com superfícies rígidas enfatizará uma sonoridade alta/aguda, isso pode dificultar o falante em perceber quando está “fora do tom”.

Não tem como separar o treino auditivo do condicionamento de emissão, não só pelo fato que o aluno tem que perceber as diferença de altura das notas. Mas sim, para que se crie a sensibilidade sonora, de se convencer que quanto mais equilibrada for a acústica teremos uma reposta de freqüência melhor, na exatidão das notas e no foco ressonador. Por exemplo, ao deixarmos a ressonância mais oral teremos além de mais graves uma facilidade de leveza cervical, ao contrário quando o foco ressonador está mais nasal na maioria das vezes é provido de uma ressonância faríngea acentuada pelo próprio diâmetro desse ressoador, fazendo com que a pessoa não consiga emitir a nota que percebe (audição) e abstraiu (processamento auditivo), mesmo usando o movimento laríngeo exato (afinação).

Na colocação vocal da aluna Karolaine foi percebido que quanto mais proporcionarmos um equilíbrio de ressonância oral terá melhor resposta de afinação, e que nesse momento de condicionamento de emissão qualquer presença de constrição trará grande influência na afinação principalmente por sua tendência a hipernasalidade. Conseguimos balancear a ressonância tendo melhor desempenho melódico na extensão da canção Pão e Vinho - Ministério Amor e Adoração.


Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal



terça-feira, 24 de maio de 2016

Considerações sobre Uso Desvantajoso de Estruturas Supralaríngeas (Apresentação de Rendimento Vocal - Aluna Sidnéia)

Quebras involuntárias na emissão prolongada e certa característica “ruidosa” eventualmente presente no canto, podem estar sendo providas, funcionalmente, do mau uso das estruturas supraglóticas. Vários fenômenos podem influenciar nesse fator, como considerável aproximação de pregas vestibulares, constrição das paredes faríngeas junto com hipersinesia da musculatura extrínseca. A associação desse comportamento fisiológico, com posteriorização de língua, pode deixar o foco excessivamente faríngeo, que na maioria das vezes está acompanhado de hipernasalidade.

Não é suficiente apenas, mecanicamente proporcionar o treino de translação mandibular (abertura de boca), essa biomecâmica só nos dará a devolutiva favorecedora de projeção, se a emissão, nos referindo ao comportamento das estruturas musculares, estiver favorecendo a amplificação do som antes de ser exteriorizado por meio das vogais.

No trabalho exclusivamente de emissão vocal, usamos as ferramentas práticas que proporcionam a sensibilidade e percepção, pela relação do som com a fisiologia ativada no momento do canto. Por exemplo: Se a laringe estiver bem posturada, posição estável, com nivelamento de intensidade, a translação de mandíbula sucessivamente contribuirá ainda mais para ressonância vocal.

Acompanhado de um bom treinamento de apoio suporte, investimos em dinâmicas musculares para o aumento de propriocepção da musculatura cervical, práticas voltadas para a evidência da ressonância de fala, e melhor colocação das ascendências melódicas.

Alguns dos resultados adquiridos durante esse tempo de instrução vocal, na emissão da aluna Sidnéia:

·         Redução de nasalidade
·         Melhor consciência melódica
·         Desenvolvimento de habilidade pneumofonoarticulatória
·         Considerável desativação de constrição faríngea


Maxwell Silva
Pesquisador Vocal e Coach



domingo, 22 de maio de 2016

Adequação do Timbre: Fisiologia e Estética



O aproveitamento sonoro, ou seja, aquele timbre adequadamente esperado quando se canta, se dá pela favorável amplificação de harmônicos. Sistematicamente falando, existe o som provido da vibração das pregas vocais denominado por alguns autores por tom glótico, e os harmônicos que são encontrados, por exemplo, no próprio espaço da faringe (garganta), esses representam múltiplos da frequência dos ciclos de vibração das pregas vocais (frequência fundamental). Para melhor entendimento temos aqui uma explicação sobre trato vocal:

“Trato vocal é o nome genérico dado ao conjunto de cavidades e estruturas que participam diretamente da produção sonora; tem como limite inferior a região glótica e como limite superior, os lábios e/ou as narinas, no caso dos sons nasais. Se retificarmos o trato vocal, criaremos um cilindro de aproximadamente 17 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro.” (RUSSO & BEHLAU, 1993)

A teoria de produção da voz Fonte Filtro (FANT, 1960) enfatiza justamente a influência do percurso do som depois de gerado o material aero dinâmico (o ar) em direção a fonte de gênese do som (as pregais vocais), ou seja, a eficiência e os aspectos sonoros da voz não dependem apenas de treino respiratório, vibração correta de pregas vocais sendo fenômeno passivo a respiração e controle de intensidade, é preciso ser trabalhado a consciência harmônica da emissão, usando como referência a sensação muscular, precisamente da musculatura cervical que tem contato direto com o comportamento da ressonância de cada voz.

Resgate na memória a característica do som do apito, sua sonoridade aguda tem relação direta com sua estrutura, estreito e curto, ou seja, menos harmônicos, ou uma série harmônica extremamente resumida. Agora, compare o som do violão com o cavaquinho, destaque a diferença de sonoridade, o violão por ser um instrumento maior, principalmente no seu corpo, demonstra um som mais balanceado de grave e agudo que podem ser monitorados manualmente pela disposição do braço longo, dando possibilidades distintas de som. Enquanto o cavaquinho, instrumento pequeno e curto demonstra exclusividade pelos agudos. É importante ressaltar que estamos falando de frequência e não de intensidade, que nem sempre são proporcionais em si, ou seja, podemos ter tanto frequências agudas e graves com baixa e alta intensidade. Um som grave pode ser mais forte que um som agudo e visse versa.

Em relação ao trabalho vocal, é ativamente correlacionado a frequência com a intensidade. Existem treinos que vão favorecer mais um parâmetro do que outro, mas é preciso no momento da emissão cantada que a atenção e compreensão sonora do falante estejam voltadas as sensações das estruturas supraglóticas e concepção da fonte sonora pela precisão do fluxo de ar ao projetar a voz. Isso favorecerá tanto a mecânica/fisiologia quanto a/o estética/timbre.

Maxwell Silva
Pesquisado e Coach Vocal