sexta-feira, 20 de maio de 2016

Considerações Técnicas Do Aperfeiçoamento Vocal De Luis Fernando - Coaptação Glótica

Mesmo sendo um mecanismo passivo, a precisão sonora depende de uma eficiente coaptação glótica, ou seja, fechamento de prega vocal. Isso contribuirá para diminuição de esforço cervical e concentrará a força necessária para a tensão dos músculos da “cinta abdominal”, apoio suporte, resultando em maior pressão de ar afim de que a amplificação do som desperte a emissão.

O filtro também denominado fonte friccional é justamente onde o som passa por modificação, que seria dar uma “dosagem” de agudo ou de grave, formando uma impressão vocal. As ferramentas técnicas que trabalham a oclusão do trato oral em som contínuo estimulam uma maior força dinâmica pela pressão subglótica, agindo na vibração das pregas vocais pelo rompimento de sua adução (princípio do Efeito Bernoulli, matemático suíço, 1700 – 1782).

Didaticamente falando, usamos a fonética das consoantes para uma ginástica muscular, visando o comportamento especifico de estruturas laríngeas e supralaríngeas em cada modo articulatório, para valorizar a vocalização que genuinamente está relacionada à vogal.

Destacaram-se a primeiro momento na voz do aluno Luis Fernando, soprosidade, leve tensão, apresentando uma impressão de som posteriorizado (pra trás), isso gera quebras involuntárias de voz em vocalização prolongada. Mas uma vez, precisou-se investir nas dinâmicas de alongamento em região de pescoço e ombros, para desenrijecer a musculatura supra e infrahióidea, favorecendo a ressonância vocal.

Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal



Condicionamento Do Despertar De Emissão Cantada Da Aluna Aline Silva

Um dos momentos mais motivadores que tenho a oportunidade de presenciar instruindo pessoas, e que me faz adquirir na vivência em aula a capacidade de despertar emissões, é contemplar de perto o desenvolvimento multifatorial de uma pessoa. Essa idéia quebra paradigmas que tiram das pessoas que querem ter consciência de como se faz, a possibilidade de conseguir. Pois, antes de afinação, fôlego, potência, interpretação, versatilidade e etc, cantar é consciência.

Em visão fisiológica é relativa essa questão de competência vocal, existem muitas vozes saudáveis e “competentes” que ainda não desenvolveram o canto, e em alguns aspectos podem ser mais competentes, fisiologicamente falando, do que cantores de demanda vocal. Claro, que o cantor treinado e consciente tem por habilidade, estratégias para usufruir da melhor forma de seu aparato vocal para sua performance musical. E nenhum cantor tem por obrigação o dever se ser competente em tudo, na verdade, em nada na vida somos 100% competentes rsrs A questão é se conhecer e saber as possibilidades que temos e aprimorá-las.

No trabalho com a aluna/cliente Aline, investimos muito na propriocepção com treinos de intensidade, nesse caso buscando a diminuição por causa da presença de tensão de musculatura extrínseca, para ter uma melhor resposta de ressonância com foco em proporcionar um feedback auditivo sobre o comportamento de sua emissão cantada.


Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal



segunda-feira, 16 de maio de 2016

Considerações Sobre O Condicionamento Vocal Do Cantor Sertanejo Mailson Lima




    A hipercinesia muscular é uma característica bastante presente em estilos de canto que necessitam de projeção vocal ativa e presente para entusiasmar e “levantar a galera, ou seja, um suposto “peso” maior nos agudos. Inicialmente é aconselhável trabalhar a propriocepção da musculatura extrínseca por ser mais sensitível ao falante, buscando uma determinada idéia de “desativação”, proporcionando uma ginástica intrínseca para o TA e demais músculos aproximadores das pregas vocais, responsáveis pela massa, e o CT que junto com TA tenciona contribuindo para a eficiência glótica em frequências que requer aproveitamento maior do fluxo aerodinâmico.

O treino com a técnica de sobrearticulação trouxe bastante eficácia e objetividade no condicionamento da voz do Cantor Mailson, que de maneira inata sempre se inspirou com esse repertório sertanejo, principalmente o “das antigas” onde os intervalos melódicos eram bem maiores e as oitavas eram mais ocorrentes na canção. Uma coisa bastante presente em sua emissão de cara, era a potência, mas pela associação excessiva com a elevação de laringe e constrição faríngea apresentava já a presença de fadiga tendo como comportamento pouca resistência vocal, isso deixa a ceder a performance do cantor da noite, que canta esse tipo de repertório constante, durante horas e muitas vezes no outro dia já tem show marcado.

É importante ter a consciência que existem ferramentas que vão proporcionar o aproveitamento do brilho vocal, mais relacionado aos agudos, fazendo conexão dos harmônicos que dão cor, relacionado às freqüências graves e ao registro de peito, abrindo um viés para o canto belting que tem o apoio suporte bastante presente. Na emissão de Mailson, tendo como base perceptiva a emissão falada, já apresenta uma clareza peculiar, isso faz com que sua impostação fique mais aproximada do twang do que para o belting, claro que o apoio suporte está presente nos ataques melódicos.


Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal



domingo, 15 de maio de 2016

Considerações Da Orientação Vocal Com O Aluno Ailton Mendes


Pessoa comunicativa, começou o acompanhamento vocal com muita empolgação, um jovem cheio de pretensões...

No começo do acompanhamento vocal com Ailton buscamos dar assessoria na descoberta de uma colocação vocal que destacasse mais a emissão de fala, nesse caso não se referindo à ressonância de peito, pois a impostação para os graves já se destacava muito. Buscamos deixar “o foco de ressonância mais faríngeo”, a fim de lhe dar consciência de possibilidades que sua voz tem. Ailton relatou por diversas vezes, o quanto as pessoas admiravam os seus graves, mas se queixava que determinadas músicas não conseguia chegar ao coro/refrão com firmeza, e claro que é de essencial importância para o cantor o uso de estratégias técnicas ao emitir determinados agudos intensos, para que não acarrete complicações funcionais para sua voz, e fadiga vocal constante. Na emissão de fala era percebível um timbre acentuadamente grave (pitch baixo), levemente rugoso mais com clareza por causa da articulação adequada. Por sua emissão para as frequências graves está sempre em destaque, isso acabava psiquicamente o limitando para as emissões agudas, por causa da imagem acústica fincanda em seu consciente.

A técnica de sobrearticulação foi a ferramenta que mais contribui para a sua consciência vocal,  juntamente com o aumento de pressão expiratória. No repertório das aulas trabalhamos Fiel a Mim com oitava invertida, Pai eu Confiarei, Acalma meu Coração e Primeira Essência. A fim de proporcionar o aprimoramento de uma emissão vocal mais projetada no sentido de precisão ao emitir os agudos, sem elevação compensatória de laringe.

Certa vez, eu estava passando pela praça e ouvi uma voz cantando um refrão intenso, notas consideravelmente agudas e constantes no trecho. Não precisei olhar para dizer, é Ailton, com muita felicidade comentei com minha namorada: Amor sente esse emissão, isso é Ailton, olha o quanto contribuiu o trabalho de projeção vocal na voz dele, desejo que ele vá longe.


É um prazer acompanhar esse diamante! Desejo que Deus ilumine seus passos e que tenha muito discernimento em aprender com as experiências da vida. A vitória não está sempre no número de conquistas na vida, temos aproveitamento maior quando com humildade buscamos aprender constantemente com tudo que nos acontece.

Maxwell Silva

Pesquisador e Coach Vocal



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Negatividades no Volume Mal Utilizado na Voz



“Nos sons de forte intensidade, deve ocorrer maior dilatação do trato vocal, evitando-se constrições parciais do trato, prejudiciais a emissão.” (OLIVEIRA, Valéria Leal et al. S/D, Temas em Voz Profissional)

Ao projetar a voz dependemos da fonação, e essa por sua vez depende de dois fenômenos básicos: Fechamento de Prega vocal (Coaptação glótica) e Aumento de pressão de ar nas pregas vocais (Fluxo aereodinâmica subglótico). Associado a isso precisamos ter consciência que os espaços por onde o som fonatório percorre precisam estar favoráveis, ou seja, alargados/dilatados. (Confira esse post, onde falei melhor sobre projeção: http://aulascoachmax.blogspot.com.br/2016/04/a-projecao-vocal-o-poder-da-voz.html).

Segundo Mulher não é necessário que haja muito volume na voz, mas sim expressividade e boa dicção, o que é comprovado por Hamam, Capiotto, e Gutiérrez ao afirmarem que o mais importante é as palavras serem precisamente bem articuladas, transmitindo expressividade. (PINHO, Sílvia M. Rebelo et al. 2007, Temas em Voz Profissional).

A expressividade em si já dar sentido a técnica de sobrearticulação, fornecendo melhor clareza ao falar e diminuição do esforço, pois o som não precisará de tensão á nível cervical para ser projetado. Em contra partida gostaria de frisar na necessidade de um aperfeiçoamento proprioceptivo referente às determinadas “forças” excessivamente usadas ao cantar, falar em público (Para várias pessoas, independente que seja com o microfone ou não) e utilizar a voz para encenar (Teatro), para desativação dessas contrações, consideravelmente desnecessárias no ato fonatório é sugerido trabalhar a ressonância vocal, que dará a devolutiva necessária ao consciente, ao sentir a voz com brilho e nitidez, sem cansaço.

SUGESTÃO DE EXERCÍCIOS: Sobrearticulação das vogais nessa ordem: A, E, Ó, ô, i, u e em seguida a técnica do humming. Após, transitar do som em humming para todas as vogais.

FISIOLOGIA BÁSICA DO GRITO “SEM TÉCNICA”

De acordo com Oliveira, quando o grito é produzido sem técnica vocal podemos observar forte fechamento glótico, constrição das pregas ariepiglóticas, forte tensão das paredes laterais e posteriores da faringe e retração da língua. (PINHO, Sílvia M. Rebelo et al. 2007, Temas em Voz Profissional).


Maxwell Silva
Pesquisador e Coach Vocal

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Considerações sobre o Depoimento da Cantora Ziza Fernandes - Competência Perante um Problema Vocal



Assista o Vídeo!


É percebível no público leigo nesse assunto, certa dificuldade em entender a relação entre os problemas da voz e os procedimentos necessários para tratar, e entre esses a função do fonoaudiólogo nas diversidades de quadros problemáticos da voz. Em contra partida qual é o tratamento mais eficaz, entre o medicamentoso, cirúrgico ou terapêutico? Nesse último, a importância do fonoaudiólogo. Na verdade nenhum atua isoladamente e todos os procedimentos se complementam entre si. Meditando sobre o caso da Ziza Fernandes, cabe a pergunta: Mesmo com as pregas vocais (fonação) debilitadas ela consegue continuar com sua atuação no canto? E como fica a saúde? Bem, na verdade existem casos e casos. Nós temos estruturas acima das pregas vocais que muitas vezes são usadas erroneamente, fazendo com que aconteça uma compensação para emitir determinado som, isso é característico do envelhecimento vocal. No aparelho fonador saudável isso não entra em uso, a não ser em ajustes específicos para determinado efeito vocal. Já com fins sistemáticos e terapêuticos, esses ajustes podem ser utilizados para compensar de forma positiva uma fonação debilitada. Refiro-me, ao que chamamos de ajustes supraglóticos, que não tem só relação com a porção superior da laringe, mas também com as estruturas faríngeas, proporcionando a ressonância eficaz para emitir a voz cantada sem agravar uma disfonia, nesse caso, já identificada e determinada.
Tudo isso formam uma base científica justificando que a voz não é só intuição, ela depende essencialmente de mecânica fisiológica, junto com a consciência das sensações corporais (propriocepção) para ser usada.
Gostaria de concluir expressando que o objetivo de uma assessoria clínica vocal não é só a preservação da saúde, pois, quando se trata de um profissional da voz, entra em questão o aperfeiçoamento da estética vocal. Isso justifica que as ferramentas da técnica vocal, sob orientação profissional é a forma mais eficaz de remediar uma disfonia funcional, claro que, não é o caso da Ziza, mas mesmo assim temos aí, um exemplo que a voz não tem limite! E que as impossibilidades, podem ser trabalhadas, descobrindo assim uma compensação favorecedora e não geradora de agravamento do problema.

Maxwell Silva
Pesquisador e Coach Vocal

domingo, 10 de abril de 2016

A Projeção Vocal: O Poder da Voz


Quando se trata da emissão cantada, menos força é mais som! O que isso quer dizer? Uma voz que não foi disciplinada às mecânicas respiratórias propositais e ao exercício de “desativação” da contração excessiva dos músculos cervicais, levando a constrição (aperto) das paredes faríngeas. Faz com que de certa forma se pense que para emitir uma intensidade maior, ou seja, para usar a potência vocal necessite de força. Na verdade, sim, é necessário força, mas essa força estar relacionada as musculatura da cinta abdominal, pois esses músculos são formados por fibras mais fortes, a contração dessa musculatura para o fim fonatório, está relacionada ao aumentar da pressão expiratória. A força do cantor está na expiração, e a idéia é justamente transformar a pressão expiratória em pressão sonora, sem contrair excessivamente a musculatura cervical, que de certa forma impedi a ginástica precisa dos músculos que tem contato direto com as pregas vocais, a fonte sonora do cantor. Logicamente falando, o nosso trato vocal, o espaço responsável para que amplificação sonora aconteça, precisa se encontrar mais lago para termos melhor aproveitamento dos graves, lembrando que, quando me refiro ao grave, falo da característica do som da voz e não a alcance vocal.

Para esclarecer o que me inspirou a essa temática, gostaria de fazer uma citação que relata esse poder da projeção vocal numericamente, justificando a acústica da voz. A autora se refere à situação do cantor não fazendo uso do microfone, sobre o acompanhamento de uma orquestra completa, claro, que essa situação é característica do canto lírico, mas mostra claramente o poder da projeção vocal.

“ As orquestras sinfônicas têm parciais frequências (Frequências sucessoras à frequência fundamental) por volta de 500 Hz, decrescendo o nível de pressão sonora em direção aos agudos. O fato de o ouvido humano ser mais sensível aos sons agudos e da amplificação sonora do cantor ser nas regiões de 2.000 a 4.000 Hz explica o porquê deste não necessitar do uso de microfone para ser ouvido sobre uma orquestra.” (PINHO et al. 2007, Temas em Voz Profissional)


                                                                                                                                           Maxwell Silva
                                                                                                                       Pesquisador e Coach Vocal